
Réu foi condenado a mais de 26 anos de prisão por planejar sequestro de jovem mantido em cativeiro por seis dias na zona rural de Mirante da Serra
O Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO) decidiu manter a condenação de Sebastião Carlos de Oliveira pelo crime de extorsão mediante sequestro. Ele já havia sido sentenciado em primeira instância, em 11 de agosto de 2025, pela Vara Única de Alvorada do Oeste, a mais de 26 anos de prisão.
De acordo com o processo, Sebastião foi apontado como responsável por planejar o sequestro de um jovem de 25 anos, que permaneceu em cativeiro por seis dias na zona rural de Mirante da Serra, em Rondônia.
A vítima foi libertada após os sequestradores perceberem a aproximação da Polícia Civil na região. O valor de R$ 1 milhão exigido como resgate chegou a ser sacado pela família, mas posteriormente foi devolvido.
A defesa recorreu da decisão, pedindo a anulação de provas, alegando ausência de fundamentação adequada na sentença e sustentando que não existiam provas suficientes para a condenação. Também solicitou a redução da pena.
O Ministério Público de Rondônia se manifestou contra o recurso.
Desembargadores mantiveram condenação por unanimidade
O relator do caso, desembargador Adolfo Theodoro Naujorks Neto, votou pela manutenção integral da condenação.
Segundo ele, as provas reunidas no processo demonstram de forma clara a participação do réu no planejamento e execução do crime.
Os demais desembargadores acompanharam o voto do relator, e a decisão foi unânime.
Com isso, ficou mantida a pena de 26 anos e 8 meses de prisão em regime fechado, além do pagamento de R$ 30 mil de indenização à vítima.
Provas reforçaram participação no crime
Entre os principais elementos utilizados para a condenação estão a ligação do réu com os telefones usados durante o crime, a criação de um perfil falso em aplicativo de relacionamentos para atrair a vítima, pesquisas na internet sobre planejamento de sequestro e mensagens com linguagem semelhante à utilizada pelos sequestradores.
Além disso, a investigação apontou motivação financeira, incluindo dívidas pessoais e o conhecimento da condição financeira da vítima e de sua família.
Relembre o caso
Segundo a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), o jovem foi atraído por criminosos após marcar um encontro por meio de um aplicativo de relacionamentos, no dia 7 de março de 2021.
Ele foi sequestrado e mantido sob o poder de homens armados em uma área rural de Mirante da Serra.
Durante o período em cativeiro, os criminosos fizeram contato com a família e exigiram R$ 1 milhão para a libertação. O valor seria entregue na Bolívia pelo pai da vítima.
Após seis dias de investigações, os sequestradores suspeitaram que o esconderijo seria descoberto e decidiram libertar o jovem em uma área rural.
A vítima foi encontrada com ferimentos nos pulsos e tornozelos, resultado de ter permanecido amarrada com cordas e correntes.
A partir das investigações conduzidas pela 1ª Delegacia de Mirante da Serra, a Draco cumpriu mandados de prisão temporária e de busca e apreensão, resultando na prisão de um dos apontados como autores intelectuais do crime.
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