
Parlamentar criticou insegurança no campo, multas ambientais e falta de resposta do governo sobre relatório entregue ao Executivo (texto e foto, Valdery Diogenes, Agência Rondônia)
Em um discurso marcado por tristeza, preocupação e desabafo, o deputado estadual Ismael Crispin fez um forte pronunciamento durante sessão realizada no estande da Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE/RO), na 13ª Rondônia Rural Show Internacional, em Ji-Paraná.
Ao abordar os desafios enfrentados pelos produtores rurais de Rondônia, o parlamentar destacou a insegurança vivida no campo e afirmou que milhares de famílias convivem diariamente com o medo de produzir sem garantias jurídicas.
“Entendemos que uma geração inteira vive na insegurança da possibilidade de estar no campo, ter a certeza de que podem trabalhar, ter a certeza de que não serão multados, ter a certeza de que não serão ameaçados por estarem trabalhando”, declarou.
Durante o discurso, Ismael Crispin relatou o caso de um produtor rural que teria recebido uma multa de R$ 22 milhões aplicada por um órgão estadual, situação que, segundo ele, evidencia a falta de clareza nas regras impostas ao setor produtivo.
“É triste chegar aqui e ouvir um produtor, como eu ouvi hoje: ‘Crispin, eu acabo de ser multado na minha propriedade por um órgão do Estado que não nos dá segurança, que não explica a regra do jogo para quem produz em Rondônia’”, afirmou.
O deputado ressaltou ainda que produtores rurais enfrentam um cenário de incertezas e medo, mesmo sendo responsáveis por movimentar a economia e garantir a produção de alimentos no estado.
Outro ponto destacado pelo parlamentar foi a elaboração de um relatório com 73 páginas, construído junto à sociedade e contendo relatos de produtores rurais sobre dificuldades enfrentadas no campo.
Segundo Ismael Crispin, o documento foi entregue ao governador de Rondônia, Marcos Rocha, mas até o momento não houve resposta do Executivo estadual.
“Nós construímos um relatório minucioso, onde documentamos cada lágrima, cada choro, cada indecisão, cada insegurança dos nossos produtores do campo. Para nossa tristeza, o relatório foi engavetado, nenhuma resposta até agora”, disse.
O deputado também mencionou a falta de discussão sobre o zoneamento socioeconômico e ecológico do estado, apontando que a ausência de definição amplia a insegurança jurídica enfrentada pelos produtores rurais.
Ao encerrar o pronunciamento, Ismael Crispin afirmou que o discurso não representava uma despedida política, mas um chamado aos futuros gestores de Rondônia para que priorizem o setor produtivo e garantam segurança ao homem do campo.
“Trazer toda essa apresentação tecnológica para o setor produtivo, mas não dar segurança ao homem do campo, é a prova de que não estamos fazendo nada por quem trabalha, por quem produz, por quem coloca comida em nossa mesa”, destacou.
O parlamentar defendeu que o próximo governo tenha coragem de pautar o zoneamento socioeconômico e ecológico do estado, afirmando que a medida pode consolidar Rondônia como “a nova fronteira do setor produtivo do Brasil”.
“Em ano eleitoral, surge para todos nós uma esperança, que é a responsabilidade de escolher quem tenha coragem não apenas de organizar uma festa linda e grandiosa como esta, mas de dar condições a quem trabalha e produz neste estado”, concluiu.
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