Rondônia fortalece protagonismo indígena com produção sustentável e investimentos superiores a R$ 1 milhão


Governo amplia ações de assistência técnica e crédito rural para transformar terras indígenas em polos produtivos sustentáveis

O governo de Rondônia vem consolidando, em 2026, um novo ciclo de desenvolvimento nas comunidades indígenas ao integrar preservação ambiental, assistência técnica e fortalecimento econômico dentro das terras indígenas do estado.

Por meio da Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater Indígena), coordenada pela Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater/RO), diversas etnias rondonienses avançam da produção de subsistência para o protagonismo econômico sustentável.

Entre as ações estratégicas deste ano, destaca-se a parceria firmada entre o governo estadual e uma instituição financeira, responsável pela consolidação de 20 projetos agrícolas e pecuários que somam mais de R$ 1 milhão em investimentos destinados às comunidades indígenas.
Família Suruí investe em irrigação e fortalece produção de café especial

Na Terra Indígena Sete de Setembro, a família de Solange Suruí representa uma das histórias de transformação impulsionadas pelo programa. A produtora indígena conquistou apoio financeiro para implantação de um sistema de irrigação no cafezal da família.

Foi Solange quem incentivou o investimento no cultivo de café especial em 2019, iniciativa que trouxe reconhecimento nacional ao povo Paiter Suruí. Em 2022, ela conquistou o terceiro lugar no concurso nacional Florada Premiada, voltado à valorização das mulheres produtoras de café.

Segundo a produtora, o cultivo do café dentro da comunidade evoluiu significativamente nos últimos anos.
“Vendia de qualquer jeito, não sabia a importância do café na época. Mas, a partir de 2019, surgiu a parceria de uma indústria com nosso povo e começou a dedicação ao café especial. Hoje cultivamos café, cacau, banana e também replantamos floresta ao redor do cafezal para garantir sustentabilidade”, relatou.

Solange também relembrou a emoção de receber o prêmio nacional e destacou as expectativas para a safra de 2026.

“Foi uma conquista histórica para o meu povo. Desde então, não parei mais. Amo trabalhar com café especial e agora conquistamos mais um sonho, que é o financiamento para irrigação da lavoura. Estamos com expectativa de colher a melhor produção desta safra”, afirmou.

Crédito rural fortalece produção sustentável nas aldeias

Dos 20 projetos aprovados pelo programa, a implantação de sistemas de irrigação aparece como a principal demanda das comunidades atendidas.

Os recursos foram destinados à aquisição de equipamentos agrícolas, como motocultivadores, roçadeiras e pulverizadores, além do custeio de horas-máquina para preparo do solo e construção de reservatórios de água utilizados nos sistemas de irrigação.

Na área da pecuária, os investimentos possibilitaram a aquisição de matrizes bovinas e a recuperação de pastagens degradadas, sempre alinhadas às diretrizes ambientais.

O sucesso das operações é atribuído ao acompanhamento técnico realizado pela equipe da Emater/RO, que adaptou os projetos à realidade cultural das comunidades indígenas, associando acesso ao crédito com orientações técnicas voltadas à produtividade e sustentabilidade.

Um dos pilares da iniciativa é a preservação ambiental. O acesso ao crédito está condicionado à proibição de desmatamento de floresta nativa e ao cumprimento das diretrizes estabelecidas no Plano de Gestão da Terra Indígena (PGTI).

Com isso, áreas anteriormente degradadas ou subutilizadas passam a ser convertidas em lavouras produtivas e sustentáveis.

Terras indígenas se consolidam como polos de bioeconomia

O estado de Rondônia possui atualmente 22 Terras Indígenas demarcadas e homologadas, onde vivem mais de 21 mil indígenas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Entre as etnias presentes no estado estão os povos Paiter Suruí, Cinta Larga, Karitiana, Oro Wari, Gavião e Tupari.

O governador Marcos Rocha destacou que a atuação do governo respeita as especificidades culturais e ambientais das comunidades indígenas.

“A produção indígena é um dos pilares do agronegócio sustentável de Rondônia e se destaca pela qualidade e sustentabilidade. Das terras indígenas estão surgindo cafés premiados, cacau de qualidade, castanhas, farinha, peixes, banana, melancia, abacaxi e diversas outras produções que transformam as aldeias em polos de bioeconomia”, afirmou.

Governo amplia emissão do CAF e acesso ao crédito rural

O diretor-presidente da Emater/RO, Hermes José Dias Filho, explicou que o governo estadual intensificou em 2026 as ações voltadas ao acesso ao crédito rural e à emissão do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF).

As ações são desenvolvidas em parceria com a Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri) e fazem parte do pacote de Assistência Técnica e Extensão Rural voltado às comunidades indígenas.

Somente em Guajará-Mirim, neste ano, foram emitidos 448 CAFs para indígenas das etnias Oro Nao, Oro Waram Xijein, Oro Waram e Oro Mon.

Segundo Hermes José Dias Filho, o documento é essencial para garantir acesso às políticas públicas e aos programas de incentivo à agricultura familiar.

“O CAF é um documento fundamental para acesso ao crédito e aos programas governamentais. A Emater/RO chega às aldeias mais remotas para realizar o levantamento produtivo, regularizar famílias e criar oportunidades para que as terras indígenas sejam produtivas, sustentáveis e gerem renda às comunidades”, ressaltou.

Assistência técnica alia sustentabilidade e valorização cultural

A política de Ater Indígena desenvolvida pelo governo de Rondônia é baseada em pilares como sustentabilidade, valorização dos conhecimentos tradicionais, acesso a políticas públicas e fortalecimento do desenvolvimento rural sustentável.

Entre os principais objetivos estão a recuperação de áreas degradadas, o manejo sustentável da biodiversidade local e a integração dos saberes indígenas às técnicas agrícolas modernas, promovendo geração de renda sem abrir mão da preservação ambiental e da identidade cultural das comunidades.

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